domingo, 17 de dezembro de 2017

Itausa foi vendida pela Petros


Itausa (ITSA3) foi vendida pela Petros à Fundação da AMBEV em leilão na sexta-feira

Segundo a Petros informou, o leilão de Itausa foi realizado com um grande sucesso (ao preço de R$10,50/ação), apesar da tentativa de o mercado interferir na operação, como evidencia a tabela abaixo.



Data
Preço Fech ITSA3
Volume negociado
14/12/2017
10,40
802.800
13/12/2017
10,19
  67.500
12/12/2017
10,20
  33.000
11/12/2017
10,19
  17.300
08/12/2017
10,18
  35.800
07/12/2017
10,06
  68.600
06/12/2017
10,20
  73.900
05/12/2017
10,00
  52.700
04/12/2017
10,10
  71.500
01/12/2017
10,09
103.400





Agentes entraram agressivamente se posicionando quinta e sexta-feira, dias 14 e 15 de dezembro e no final do dia colocaram as ações a valores inferiores aos nossos para vender para o nosso comprador, mas nosso lote foi totalmente comprado pela Fundação da Ambev (http://braziljournal.com/fundacao-da-ambev-fica-socia-da-itausa-com-r45-bi), que possui o passivo adequado para carregar esse ativo, enquanto que o PPSP não.

A operação foi fundamental para a racionalização da carteira de investimentos do PPSP, que hoje se encontra disfuncional com relação ao seu passivo.



Quem compra barato, aceita desaforo

As ações de Itausa estavam pressionando muito a carteira de ativos da Petros, primeiro por seu volume, e depois por sua iliquidez. A Petros buscou essa negociação para superar a falta de flexibilidade da carteira, tendo em vista a maturidade do PPSP, plano que recepcionou Itausa. Cada vez mais, o Plano Petros do Sistema Petrobrás (PPSP) irá necessitar de maior liquidez e a Política de Investimentos da Petros já aponta para essa situação há alguns anos.

Nesse sentido, não somente ITAUSA, mas diversos outros ativos de participação da Petros estarão para ser negociados no momento certo, como recentemente tivemos a venda de Eldorado Celulose, entre outros.

ITAUSA sempre teve questionamentos por parte de diversos participantes da Petros, devido aos problemas graves em sua aquisição. O Conselho Deliberativo, numa decisão controvertida, aprovou por unanimidade a compra das ações de ITSA3 da empresa Camargo Correia. Na ocasião, todos os indicativos de analistas do mercado e da Fundação apontavam ser o investimento bom no médio e longo prazo e a decisão do CD considerou também a participação no acordo de acionistas da empresa.

Posteriormente, verificou-se que houve diversas irregularidades na execução da operação, que levou a mesma ser inclusive denunciada aos órgãos públicos e à CPI dos fundos de pensão. Interessante observar que a estratégia da precificação no processo de aquisição de ITAUSA foi feita de maneira que nem o Conselho Deliberativo e nem mesmo o Conselho Fiscal da Petros na época souberam constatar os problemas, que só começaram a ser apontados quase um ano depois. Mesmo na CPI dos fundos de pensão, a denúncia realizada em 2015 apontou o nome dos conselheiros deliberativos, mas acabou por omitir, estranhamente, o nome do Presidente da Petros à época e o relator do processo no conselho deliberativo.

A Previc, órgão de fiscalização dos fundos de pensão, autuou o ex-diretor de investimentos da Petros, Luiz Carlos Afonso, por sua participação no episódio. E o Ministério Público Federal ainda segue investigando. A própria Petros constituiu Comissão Interna de Apuração que confirmou as irregularidades cometidas na compra do ativo.

Os estudos da Petros sobre ITAUSA esse ano apontavam que o ativo poderia no próximo período atingir ou mesmo superar a meta atuarial. Mas a falta de flexibilidade da carteira de participações levou a Petros a negociar a venda mesmo assim.

O principal problema em relação a compra de ITAUSA foi a precificação realizada pela Petros, com um suposto prêmio de controle, que não se confirmou e acreditando num cenário positivo de valorização da ação que nunca se confirmou também. Além disso, a iliquidez de ITSA3 é um grande problema para um plano como o PPSP. Esses elementos acabaram por confirmar o ditado do mercado de “quem compra barato aceita desaforo”.

Durante o processo de venda, também tivemos alguns problemas com relação à precificação das ações. Mas até onde podemos verificar, no momento, os problemas foram superados e não provocaram qualquer prejuízo à operação.

A carteira de investimentos do PPSP está muito exposta a riscos num momento em que o plano, maduro e em extinção, já não pode mais se expor. Por isso, é preciso que os ativos tenham sempre uma maior liquidez, permitindo maior flexibilidade.


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